Domingo, Julho 05, 2009

 

BALANÇO DA FLIP


As mesas que mais gostei da FLIP 2009 foram Chico Buarque / Miltom Hatoum e Antonio Lobo Antunes. Domingos de Oliveira também se destacou.


Miltom Hatoum falou de seu livro ÓRFÃOS DO ELDORADO - resultante de histórias de Manaus que ficaram em sua memória (Miltom é de Manaus). Foi um livro encomendado que devia ter aproximadamente 25.000 palavras / 100 páginas. Quando se deu conta o livro já tinha 200 páginas. Milton fez um esforço para reduzí-lo - teve que repensar o livro e escrever um romance mais curto. A persongem principal, Dinaura, lembra muito Matilde, a personagem de LEITE DERRAMADO.

Chico Buarque diz que seu livro é conciso - teria 20 páginas se não fosse a repetição, que faz parte do estilo. O mote do livro, contou Chico, foi a música "Velho Francisco", música de sua autoria. Começou a pensar no livro ao ouvi-la na interpretação de Mônica Salmaso.

A conversa e as histórias desses dois escritores foi um grande momento da festa literária deste ano.

Ántonio Lobo Antunes, português, médico psiquiatra que virou escritor - tem 24 livros publicados - a grande surpresa da FLIP. Foi entrevistado por Humberto Werneck, que participou na FLIP do ano passado com seu livo O SANTO SUJO - comentado aqui no blog como um dos livros que mais gostei nesse ano. Uma mesa deliciosa, com o título ESCREVER É PRECISO - uma verdadeira aula de escrita, de paixão pela arte de escrever.

Lobo Antunes tem uma boa relação com o Brasil - seus avós paternos vieram para Belém do Pará no século XIX e ele mergulhou na literatura brasileira desde então. O primeiro poeta que leu aqui foi Manoel Bandeira. Escrevia escondido de sua mãe. Um dia seu avô lhe perguntou: _ Ouvi dizer que você escreve versos. Você é veado?. Diz-se conhecedor da poesia brasileira, mas não tem boa relação com a prosa: " Assim que começo a ler quero corrigir tudo". Anotei algumas de sua frases interessantes:

Todo livro é uma reflexão profunda sobre a arte de escrever.
Jorge Amado era muito maior que seus livros.
Um livro é um organismo vivo.
Quando escreve, você tem que ter uma mão feliz. Se ela é feliz, o livro sai.
Só vae a pena escrever se você acha que está escrevendo uma obra prima.
Escrever é, sobretudo, corrigir o que já escreveu.
Temos que escrever para a eternidade.
É um desafio escrever um livro que você acha que não será capaz de escrever.
É preciso tirar a gordura, escrever cada vez mais no osso.
Nunca deixe para o dia seguite uma frase com ponto final; é mais fácil de continuar.
Se al´guém quer ser escritor tem que ver como o Garrincha chuta a bola.
O escritor tem que trabalhar 10 horas por dia: 2 horas para escrever e 8 horas para corigir.
O nome do leitor é que devia estar escrito na capa do livro.
Livro bom é aquele que foi escrito só para mim.
Escrevo um livro para corrigir o anterior. Ficamos sempre aquém daquilo que escrevemos; então o melhor é escrever outro livro.
O trabalho de editar é um trabalho arriscado, um trabalho difícil.
Um problema é saber quando um livro está acabado. É como uma mulher que deixa de gostar de você - ela fica num canto da cama e não deixa ser tocada por você. Um livro está terminado quando você não consegue mais corrigi-lo.


Clique no link para saber mais de Lobo Antunes: http://www.ala.nletras.com/

Reality Show - exibicionismo, exposição, invasão de privacidade, limite entre público e privado - foram temas também desta FLIP. Fizeram parte desse estilo na FLIP deste ano: Catherine Millet, Sophie Calle, Gregoire Bouillier e Gay Talese.

Sophie Calle se expõe e expõe seus parceiros. O jornalista Gregoire Bouillier, adepto da vida pública, terminou seu romance com ela enviando-lhe um e-mail. Sophie divulgou esse email e fez uma obra sobre o acontecido. Vieram a público, na FLIP, discutir sua relação.



Gay Talese, americano filho de italianos, jornalista e escritor, era um dos grandes nomes da FLIP. Famoso por seu jornalismo literário - realista (novo jornalismo) e suas crônicas como "Frank Sinatra está resfriado", teve um boa participação na FLIP. Mas a exposição de sua relação com sua editora e mulher deixam-no na categoria reality show. É a arte do excesso, dos novos modelos da globalização.



E a pior mediadora foi Maria Rita Khel, que deixou a escritora Catherine Millet - que transformou sua vida privada em pública - sem saber do que se tratava a entrevista. Não consegui ver até o final essa mesa de domingo - a mediadora a tornou insuportável. Vai aqui um alerta aos organizadores: os mediadores devem ser escolhidos com muito cuidado. Falar em "retorno do recalcado" - lacanês de quinta categoria num evento literário popular é inadmissível!!!

O melhor programa - ouvir Maria Martha, no Café Margarida.

O melhor point - Café Paraty. Pelo lugar; pelo pastel de camarão ou bacalhau; pelo arroz de polvo e pela banda de rock de Paulo Meyer.



Até a FLIP 2010 !!!!


Sexta-feira, Julho 03, 2009

 

ÁGUA NA BOCA

A FLIP é de dar água na boca. Quando:
- você toma café da manhã no jardim do COXIXO
- encontra Amyr Klink saindo do barco e conversa sobre sua próxima viagem
- está com seus filhos, filhos de amigos e afilhados nesta festa literária
- seus amigos te guardam um lugar especial para assistir a conferência mais badalada da FLIP
- a mesa traz Miltom Hatoum e Chico Buarque juntos - o maior show literário da FLIP
- Miltom Hatoum lê trechos de seu livro ÓRFÃOS DO ELDORADO
- Chico Buarque lê trechos de seu livro LEITE DERRAMADO
- Chico e Miltom contam detalhes da criação de seus livros e você participa da história
- Chico conta histórias de seu pai, sua família, sua vida
- Miltom e Chico falam que um roubou a história do outro
- você consegue tirar essas fotos desses momentos mágicos ...


















































































Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir ....

Quinta-feira, Julho 02, 2009

 

E VAI ROLAR A FESTA


A cidade de Paraty em festa assistiu o show de Adriana Calcanhoto na abertura da FLIP, na noite de quarta-feira.

Mas o show não contagiou o público como nos anos anteriores - Adriana estava mais para um barzinho e violão do que para a festa de Paraty.


Preferimos a música de Maria Martha no Café Margarida. Cantamos e nos deliciamos com a voz dessa grande cantora nascida em Campos do Jordão.






Maria Martha é uma das intérpretes de Paulo Vanzolini e participou do filme UM HOMEM DE MORAL.
Ela cantou as músicas de Vanzolini durante a noite toda - uma interpretação melhor que a outra.

Para finalizar, uma canção de sua autoria - CHEIRO DE TERRA MOLHADA - de arrepiar!



Na quinta-feira começou a maratona de conferências literárias. A melhor foi a mesa com Domingos Oliveira - SEPARAÇÕES. Domingos deu um show. Rodrigo Lacerda, que dividia a mesa com ele foi apagado pela presença de Domingos.
Separações é um filme de Domingos que conta a história das 5 separações amorosas vividas por ele. Sua conferência partiu de 5 perguntas:
1) Por que o amor acaba?
2) Por que dói tanto quando o amor acaba?
3) O que dói?
4) O que se perde quando se perde um amor?
5) O amor é mesmo necessário?
Interessante, divertida, inteligente - foi a melhor conferêcia do primeiro dia da FLIP.
No final da tarde, o lançamento do livro de fotografias de Vânia Toledo, com fotos de encenações de teatro: O PALCO PAULISTANO SOB A OBJETIVA DE VANIA TOLEDO. Tem fotos memoráveis! Vânia ficou tão feliz com a presença de Jorge Forbes, que o convidou para sentar com ela à mesa de autógrafos.

O lançamento do livro foi no hotel COXIXO, onde estou hospedada.

















Maria Della Costa, proprietária do COXIXO, era uma das fotografadas pelas lentes de Vânia.

Linda como sempre, Maria recebia sorrindo os convidados da festa.
Jorge Forbes cumprimentou Maria e fez questão de tirar uma foto com essa musa da beleza, aos 85 anos.






O mico do dia foi Richard Dawkins - autor de O GENE EGOÍSTA. Cheio de frases prontas do senso popular, não deu conta de ir além em suas análises, ficando sempre na superfície. Um Paulo Coelho da Biologia, como disse um amigo.
Mas muitos jovens vieram só para vê-lo e gostaram.
Foi o caso de Luiz Felipe, que fez questão de conversar com ele e pedir um autógrafo.























Luiz Felipe estava super contente por sua estréia na FLIP com a conferência de Richard Dawkins - veio de São Bento exclusivamente para vê-lo, ouvi-lo e cumprimentá-lo.







Se quiser saber mais sobre o que rolou na festa literária de Paraty, acesse o blog da FLIP:
E se quiser ter acesso aos vídeos, aqui vai o link da FLIP no YouTube:

Quarta-feira, Julho 01, 2009

 

FLIP 2009


Paraty está em festa.

Começa hoje a 7a edição da FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty.
O homenajeado deste ano é MANOEL BANDEIRA e a conferência de abertura, em sua homenagem, será feita por Davi Arrigucci Jr., um dos maiores estudiosos do poeta.



O show de abertura será com Adriana Calcanhoto, logo após a conferência sobre Manoel Bandeira.

Para as mesas literárias que seguem de 2 a 5 de julho são esperados grandes nomes da literatura mundial - nacional e internacional. Nomes como Catherine Millet, Chico Buarque, Domingos de Oliveira, Gay Talese, Milton Hatoum, Zuenir Ventura, estão entre os convidados.

Você pode conferir toda a programação no site oficial da FLIP-2009.

Acompanhe aqui o que vai rolar nessa festa!

Viva a FLIP!

Sábado, Junho 27, 2009

 

REPETIÇÃO x FEITIÇO DO TEMPO


Você já pensou acordar todo dia no mesmo dia, ouvindo a mesma música?
Já´pensou em viver o mesmo dia por muitos anos?
O que você faria ?
Groundhog Day (Feitiço do Tempo, no Brasil) é um filme norte-americano de 1993 dirigido por Harold Ramis, com Bill Murray (Phil Connors) e Andie MacDowell (Rita).
Numa analogia com a análise, a vida continua, mas Phil, o personagem principal, está sempre no mesmo lugar.
No início, as repetições lhe dão muito prazer, na justa medida em que ações podem ser previstas - nada de surpresas, tudo pode ser controlado. Mas a previsibilidade não tem graça. A felicidade controlada, previsível, não tem o mesmo sabor. Phil percebe que ao repetir um momento feliz algo se perde, não tem mais aquele sabor. A magia não se repete. A chave é: a magia como saída da repetição. Phil deixa-se surpreender. E quando diz – “Não importa o que aconteça amanhã, ou pelo resto da minha vida, estou feliz agora" – o dia seguinte acontece.

A música que toca no rádio-relógio é I Got You Babe - com SONNY & CHER



Quinta-feira, Junho 25, 2009

 

MICHAEL JACKSON


por Jorge Forbes:

Foi no momento da esperança que Michael Jackson morreu: foi quando o mundo inteiro esperava seu retorno na velha Londres. Ele quebrou as tradicionais bancas de apostas que se dividiam entre o sucesso estrondoso ou o aplauso de consolação; nem um nem outro, a cada qual agora de decidir, em seu próprio sonho, como foi o último show.

Não perguntem a um psicanalista sobre as doenças psíquicas do menino de Ben. Primeiro porque não se diagnostica à distância, segundo, e mais importante, porque a genialidade de Michael Jackson não cabe em nenhum enquadramento psicopatológico. Michael Jackson não foi o maravilhoso artista porque sofria, mas por ter sabido em sua arte ser maior que o sofrimento que deixava transparecer e que lhe causou tantos problemas. Seria muito reducionista pedir o aval freudiano à historinha pronta a ser acreditada: filho caçula de um pai tirânico, tendo sua infância roubada por uma imposição de trabalho e sucesso, o moço não teria outra opção na vida adulta se não recuperar, em parques de diversões fora de data e em compras compulsivas, a alegria infantil um dia proibida. Por favor, não! Essa história pode explicar muita gente, mas não faz um Michael Jackson.

Nenhum diagnóstico que colemos a Michael Jackson explicará a química de alguém que fez o mundo andar na Lua. Suportemos o silêncio de sua morte e de seu sofrimento. Sua música e seus gestos é o que ele nos deixa eternamente.


Ben - Michael Jackson


Quarta-feira, Junho 24, 2009

 

VIAJANDO NAS NUVENS




"Stairway to Heaven" é uma das mais famosas canções da banda inglesa de rock Led Zeppelin. Composta pelo guitarista Jimmy Page e pelo vocalista Robert Plant para o quarto álbum de estúdio da banda, Led Zeppelin IV. Em 2000 ficou em 3º lugar na lista das "100 melhores canções de rock" feita pela VH1 É a canção mais requisitada nas estáções de rádio nos EUA apesar de nunca ter sido lançada com single por lá. Em novembro de 2007, atráves de vendas por download para promover o lançamento do disco Mothership a canção alcançou a 37ª posição nas paradas da UK Singles. (da WIKIPEDIA)

Led Zeppelin-Stairway to Heaven

Theres a lady whos sure
All that glitters is gold
And shes buying a stairway to heaven.
When she gets there she knows
If the stores are all closed
With a word she can get what she came for.
Ooh, ooh, and shes buying a stairway to heaven.

Theres a sign on the wall
But she wants to be sure
cause you know sometimes words have two meanings.
In a tree by the brook
Theres a songbird who sings,
Sometimes all of our thoughts are misgiven.
Ooh, it makes me wonder,
Ooh, it makes me wonder.

Theres a feeling I get
When I look to the west,
And my spirit is crying for leaving.
In my thoughts I have seen
Rings of smoke through the trees,
And the voices of those who standing looking.
Ooh, it makes me wonder,
Ooh, it really makes me wonder.

And its whispered that soon
If we all call the tune
Then the piper will lead us to reason.
And a new day will dawn
For those who stand long
And the forests will echo with laughter.

If theres a bustle in your hedgerow
Dont be alarmed now,
Its just a spring clean for the may queen.
Yes, there are two paths you can go by
But in the long run
Theres still time to change the road youre on.
And it makes me wonder.

Your head is humming and it wont go
In case you dont know,
The pipers calling you to join him,
Dear lady, can you hear the wind blow,
And did you know
Your stairway lies on the whispering wind.

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul.
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How evrything still turns to gold.
And if you listen very hard
The tune will come to you at last.
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll.

And shes buying a stairway to heaven.

Terça-feira, Junho 16, 2009

 

DESEJOS & SONHOS

When you wish upon a star - com Louis Armstrong



When you wish upon a star
Makes no difference who you are
Anything your heart desires
Will come to you

If your heart is in your dreams
No request is to extreme
When you wish upon a star
As dreamers do

Fate is kind
She brings to those who love
As sweet fullfillment of their secret drowns
Like a boat out of the blue
Fate steps in and see's you through


Hoje você é quem manda, falou, tá falado ... APESAR DE VOCÊ (Chico Buarque)



YOU´RE THE TOP - Cole Porter (com Nat King Cole & Ella Fitzgerald)



At words poetic, I'm so pathetic
That I always have found it best,
Instead of getting 'em off my chest,
To let 'em rest unexpressed,
I hate parading my serenading
As I'll probably miss a bar,
But if this ditty is not so pretty
At least it'll tell you
How great you are.

You're the top!
You're the Coliseum.
You're the top!
You're the Louver Museum.
You're a melody from a symphony by Strauss
You're a Bendel bonnet,
A Shakespeare's sonnet,
You're Mickey Mouse.
You're the Nile,
You're the Tower of Pisa,
You're the smile on the Mona Lisa
I'm a worthless check, a total wreck, a flop,
But if, baby, I'm the bottom you're the top!

You're the top!
You're Mahatma Gandhi.
You're the top!
You're Napoleon Brandy.
You're the purple light
Of a summer night in Spain,
You're the National Gallery
You're Garbo's salary,
You're cellophane.
You're sublime,
You're turkey dinner,
You're the time, the time of a Derby winner
I'm a toy balloon that’s fated soon to pop
But if, baby, I'm the bottom,
You're the top!


Sábado, Junho 13, 2009

 

FESTAS JUNINAS



Chegou a hora da fogueira ...

É noite de São João ...

Viva São Pedro!
Viva São João!
Viva Santo Antonio !
Salve Jorge !





















OUTRA VEZ (de Izolda) - com Roberto Carlos: você é a saudade que eu gosto de ter

PENSE EM MIM - com Leandro e Lenardo


Quinta-feira, Junho 11, 2009

 

NÁ OZZETTI - BALANGANDÃS



Acaba de chegar às lojas o CD de Ná Ozzetti - BALAGANDÃS - um tributo à Carmem Miranda.


As músicas são deliciosas - você pode ter uma idéia ao clicar no link do título do CD - escutando um pedacinho de cada faixa.



1. Imperador do Samba
2. Camisa Listada
3. Tic Tac do meu Coração
4. Disseram que Eu Voltei Americanizada
5. Touradas em Madri
6. E o Mundo Não se Acabou
7. Ao Voltar do Samba
8. Na Batucada da Vida
9. Diz que Tem
10. A Preta do Acarajé
11. Recenseamento
12. O Samba e o Tango
13. Tico-Tico no Fubá
14. Chattanooga Choo-Choo
15. Adeus Batucada

A minha preferida é CAMISA LISTADA, de Assis Valente - a primeira a ser ouvida no link do CD. Não encontrei um vídeo dessa música no YouTube, mas encontrei outras que deixo aqui para você curtir.

BALANGANDÃS







ADEUS BATUCADA





TICO-TICO NO FUBÁ


Quarta-feira, Junho 10, 2009

 

CORRESPONDÊNCIA: SIGMUND FREUD - ANNA FREUD


O livro da correspondência entre Freud e sua filha Anna é um dos livros que tenho curtido ultimamente.

Publicado no Brasil em 2008 pela L&PM Editores, tem 511 páginas com cerca de 300 cartas trocadas entre pai e filha durante 34 anos (entre 1904 e 1938).

Traz algumas cartas impressas com a letra do próprio Freud (há até umas com caligrafia gótica), muitas notas de rodapé e anexos. Entrelaçando as informações e comentários - muitos do biógrafo de Freud, Ernest Jones - com as cartas, a história de cada um vai se tecendo.

A correspondência entre pai e filha é sempre algo interessante, e, em se tratando de Sigmund Freud, é ainda mais. Anna era a filha mais próxima ao pai e a única a segui-lo na psicanálise - aos 23 nos iniciou com ele uma análise.

Freud era um pai ciumento e possessivo como muitos pais. Chegou a interferir nas relações amorosas da filha, chegando a impedi-la de casar com Ernest Jones, um de seus pretendentes. Pai é pai, mesmo que seja Freud !

Aproveite esse feriado chuvoso e curta essa leitura. Vale a pena.

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Terça-feira, Junho 09, 2009

 

GLOBO NEWS PAINEL COM JORGE FORBES


Você pode rever esse programa da Globo News em que Jorge Forbes responde às perguntas de William Waack sobre os impactos emocionais dos desastres aéreos.

Parte 1 - O ser humano e o avião



Parte 2 - Paixão e medo de voar


Domingo, Junho 07, 2009

 

UM ANALISTA NO AR - PAINEL GLOBO NEWS COM JF


Nesta noite de sábado, 6 de junho, às 23h, William Waack entrevistou Jorge Forbes - psicanalista; Cel. Jorge Barros - oficial de reserva da FAB e especialista em segurança de vôo; Ivan Sant'Anna - piloto e escritor sobre acidentes aéreos, no Painel da Globo News (canal 40). O programa será reprisado neste domingo, às 20h05.

A idéia era falar sobre a nossa relação com a tecnologia e sobre o medo de viajar de avião depois de um desastre como o do airbus da Air France. Como isso afeta a aviação e o público que viaja de avião?

Jorge Forbes subverteu a ordem do programa! Ficou no papel do analista que descompleta e surpreende.

Os outros três (os dois entrevistados, mais William Waack) eram apaixonados por avião - um deles se declarou amante, pesquisador dos acidentes aéreos e suas peculiaridades; o outro, era ligado na tecnologia, na explicação e na previsibilidade; e, o entrevistador, queria finalizar o programa com uma explicação tranquilizadora para ele e para seus telespectadores.

Forbes disse que eram três apaixonados falando da sua dor de cotovelo, e ele, o analista, parecia o único técnico ali presente. Eles ficavam analisando para ver onde estava o erro, como o apaixonado que perde sua paixão e vai para o bar ouvir música para nela encontrar a explicação para sua dor.

Selecionei algumas frases de JF:

Não há experiência mais bonita que ver o exercício da paixão.

Por que andar de avião causa um furor maior que outros meios?

Andar de avião dá a sensação de um momento em que você está completamente na mão do outro; um momento em que você pode viver a felicidade como um acaso.

Viajar de avião tem algo de mágico - existe uma confiança de que você foi convidado para uma festa legal e quando o avião cai, o teto cai sobre sua cabeça.

A gente tem que confiar na tecnologia, mas esse acidente nos mostra que a tecnologia nunca nos dará uma segurança total.

Nem no avião dá para andar no piloto automático.

Há sempre um risco. Não dá para pensar que tudo é previsível. Se a gente tirar a previsibilidade, fica difícil, é transformar tudo numa confiança absoluta.

Na opinião do especialista em segurança, houve imprudência - um excesso de confiança na rotina subestimando a natureza, o imprevisto. O piloto escritor apaixonado por desastres de avião acha que há um mistério, pode haver situações que não possam ser explicadas - no que foi contrariado pelo oficial da FAB: Há sempre uma explicação; a saga humana é desafiar o desconhecido.

Jorge Forbes retruca: _ Não gosto desse tipo de análise baseado na explicação dos detalhes como se tudo pudesse ser previsível. Já estou convencido de antemão que nem tudo é previsível.

Jorge Barros pergunta, quase indignado, a JF: _ Se o mundo é cercado de coisas imprevistas e a qualquer momento uma dessas pode acabar com nossa existência, então viver sob esse medo não é insuportável?

Resposta de Jorge Forbes: _ Acho que não há outra maneira de viver que não seja sob risco. A vida é, realmente, um contrato de risco. O contrário seria viver numa sociedade de controle. Sempre haverá o reaparecimento de um não saber. Nós sempre precisaremos descobrir, mas não acredito que um dia saberemos tudo.

Forbes assim finalizou sua participação no programa: _ Do ponto de vista objetivo, todos sabem que andar de avião é mais seguro, mas houve um rebaixamento no sonho.
JF chamou a atenção para o fato de que os humanos precisam enterrar os seus mortos:
Quando isso não acontece há uma continuidade dolorosa, que é penosa.

Gostei do programa, especialmente da participação de Jorge Forbes. É uma mostra de como um analista se coloca frente às adversidades, frente às surpresas - sempre deslocando, surpreendendo, questionando, desacomodando.

Um exemplo da presença do analista na Globalização!


Sexta-feira, Junho 05, 2009

 

MÚSICA E PSCANÁLISE


Na última Domingueira no IPLA - no domingo 31 de maio - Luiz Tatit deu o tom, falando sobre A CANÇÃO PASSIONAL.

Foi uma bela tarde de domingo: musical, reflexiva e que nos tocou a todos.


Selecionei alguns pensamentos de Tatit:

A canção é uma relação entre letra e melodia.


A letra de uma canção não é poesia; é muito difícil musicar uma poesia. Em geral as letras são feitas para uma melodia e o tema é a última coisa que aparece. Normalmente o compositor letrista faz inicialmente uma letra “monstro” que será lapidada até que finalmente surja a letra daquela melodia. Em geral a letra demora mais tempo para ser composta do que a música. Uma boa canção é a que tem uma boa relação entre melodia e letra.

A canção sempre foi identificada com um refrão. Uma regra foi criada, a partir de 1930: para uma composição ser completa é necessário haver uma segunda parte, além do refrão. Noel Rosa, que viveu apenas 27 anos, teve cerca de 300 composições, por esse motivo – sempre que alguém chegava numa rádio com um refrão, ele construía a segunda parte, deixando então a música completa.

Os cancionistas não são músicos e os letristas não são poetas.

Não se deve julgar uma canção por critérios poéticos ou musicais, o que vale é a relação melodia – letra. O fato de uma canção cair no domínio público não tem nada a ver com a qualidade da canção, é questão de divulgação.

A Canção Passional explora a espera e a surpresa. No fundo, o que está em jogo é a separação espacial aliada à conjunção temporal. O vínculo temporal é o que fica – isso é o que as canções traduzem muito bem – pois as canções sempre transcorrem no tempo. Há uma conjunção com o tempo e uma disjunção com o espaço. O tempo é muito bem expresso nas canções e também na música erudita.

Citou logo no início a canção DIA DE DOMINGO, de Sullivan e Massadas, que ,em sua simplicidade, é uma boa relação entre letra e música. Como exemplo de Canção Passional, citou TRAVESSIA, de Milton Nascimento. Publico aqui os vídeos com essas duas canções:

DIA DE DOMINGO - TIM MAIA

Letícia me enviou um vídeo de TRAVESSIA com BJORK







Veja a galeria de fotos dessa bela tarde de domingo no IPLA!

E ao final, fizemos uma festa para comeorar o aniversário de Elza, com grande estilo!

Leny, Maria Cecília e Dorothée cantaram para Elza e Lino não ficou atrás, também cantando e dançando com a aniversariante. Lígia entrou na onde e também cantou para avovó.Uma linda festa!


 




























Uma noite de magia, música e alegria !
O verso não, ou sim o verso?
Eis-me perdido no universo do dizer, que, tímido, verso,
sabendo embora que o que lavra
só encanta meia palavra.
(Drummond)
































Parabéns Elza!

Para finalizar, deixo aqui uma lembrança do que cantou Leny: I feel pretty! (de West Side Story)



Quinta-feira, Junho 04, 2009

 

O QUE É SER PSICANALISTA ?


Se é que é possível dizê-lo, valho-me de um decálogo provocativo de Jorge Forbes.

Ser Analista:


1. É valer mais quando não se é que quando se é.
2. É emprestar palavra, corpo e ser para ser feito do que se quiser.
3. É amar incondicionalmente, sem qualquer reciprocidade, na paixão da ignorância.
4. É chegar sem ser avisado, no lugar da surpresa ou da assombração.
5. É passar por esquisito, mal educado, chato, sem poder justificar.
6. É, trabalhando o bem, vir a ter horror do seu ato.
7. É poder ser paciente no lugar do Outro.
8. É não governar, nem educar.
9. É saber o que faz, quando não sabe o que diz.
10. É ter saudade sem reivindicar, quando se chega ao fim.

(extraído de um artigo de Jorge Forbes: Ser Analista)


Domingo, Maio 31, 2009

 

ELAS CANTAM ROBERTO CARLOS

Adorei o show em homenagem ao Rei, gravado no Teatro Municipal de São Paulo, na noite de 26 de maio de 2009. Vi hoje na Rede Globo a exibição e amei!

Gostei da Marília Pera interpretando 120 ... 150 ... 200 km por hora.

Adorei a Nana Caymmi cantando NÃO SE ESQUEÇA DE MIM e Fafá de Belém cantando FALANDO SÉRIO.

Gosto de CANZONE PER TE que foi interpretada por Zizi Possi e sua filha.

Mas não achei nenhum registro dessas gravações do show.

Encontrei outras que curti muito. Boa viagem!
















Quarta-feira, Maio 27, 2009

 

OÁSIS - STOP CRYING




Domingo, Maio 24, 2009

 

LORENA


Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse


(e Drummond, que escreveu este POEMA QUE ACONTECEU, talvez concluisse dizendo:
pois hoje Lorena completa dois meses !)

Salve a menina Lorena e sua mãe Teresa Cristina !

Sexta-feira, Maio 22, 2009

 

TABACARIA - FERNANDO PESSOA (ÁLVARO DE CAMPOS)

por João Villaret




Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Quinta-feira, Maio 21, 2009

 

ACHADOS E PERDIDOS








Samba do grande amor / Rosa








Quarta-feira, Maio 20, 2009

 

FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE LACANIANA





Os sábados no IPLA estão de volta no Instituto da Psicanálise Lacaniana.


O primeiro curso deste ano: FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE LACANIANA

O curso é uma introdução à psicanálise de orientação lacaniana. Parte das formulações de Jacques Lacan sobre a fase do espelho nos anos 30, matriz do imaginário, analisa a virada estruturalista dos anos 50, quando formaliza o simbólico e efetua seu ‘retorno a Freud’, e conclui com a torção promovida nos anos 70 pela experiência do real e pela abordagem topológica. Para orientar esta trajetória, o curso se apóia nas noções de RSI – os três registros lacanianos.

Serão cinco aulas num só dia.

Quando? - sábado, 30 de maio de 2009

Horário? - das 9h às 18h

Onde? - na sede do IPLA - Rua Augusta 2366, casa 2 - São Paulo


Informações e Inscrições: na sede do IPLA
ou pelos telefones (11) 3061 0947 e 3081 6346

http://www.psicanaliselacaniana.com/


Sábado, Maio 16, 2009

 

EMOÇÕES

com Roberto Carlos


Sexta-feira, Maio 15, 2009

 

DICIONÁRIO AMOROSO


Abraço: o gesto do abraço apaixonado parece preencher, num momento, para o sujeito, o sonho da união total com o ser amado.

Acanhamento: cena entre vários, na qual o implícito da relação de amor age como um constrangimento e suscita um embaraço coletivo de que ninguém fala.

Adorável: não conseguindo atribuir um nome à especialidad do seu desejo pelo ser amado, o sujeito apaixonado decide-se por esta palavra um pouco tola: adorável!

"Não é todos os dias que encontramos o que foi feito para nos dar a imagem exata do nosso desejo" (Lacan: O seminário, I)

Afirmação: perante e contra tudo, o sujeito afirma o amor como valor.

Angústia: o sujeito apaixonado, por esta ou aquela contingência, sente-se arrastado pelo medo de um perigo, de um mal, de um abandono, de uma alteração - sentimento que exprime sob o nome de angústia.

Anulação: sopro de linguagem durante o qual o sujeito acaba por anular o objeto amado sob o volume do próprio amor - por uma perversão especificamente apaixonada, é o amor que o sujeito ama, não o objeto.

Atopos: o ser amado é reconhecido pelo sujeito apaixonado como "atopos" (qualificação dada a Sócrates pelos seus interlocutores), isto é, inclassificável, de uma originalidade sempre imprevista.

Ausência: todo episódio de linguagem que põe em cena a ausência do objeto amado - quaisquer que sejam a causa e a duração - e tende a transformar essa ausência em prova de abandono.

Carta: a figura incide sobre a dialética particular da carta de amor, simultaneamente vazia (codificada) e expressiva (enriquecida da necessidade de significar o desejo).

Chorar: propensão particular do sujeito apaixonado para chorar: modos de aparecimento e função das lágrimas nesse sujeito.

Ciúme: "sentimento que nasce do amor e que é produzido pelo receio de que a pessoa amada prefirao outro" (Littré)

Compreender: vendo de repente o episódio de amor como um nó de razões inexplicáveis e de soluções bloqueadas, o sujeito exclama: "Quero compreender ( o que está acontecendo comigo)!"

Contatos: a figura diz respeito a todo o discurso interior suscitado por um contato furtivo com o corpo (e mais precisamente com a pele) do ser desejado.

Coração: esta palavra vale por todas as espécies de movimentos e desejos, mas o que é constante é que o coração se constitui em objeto de um dom - ignorado ou rejeitado.

Declaração: propensão do sujeito paixonado para falar abundantemente, numa emoção contida, com o ser amado do seu amor, dele, de si, de ambos - a declaração não incide sobre o testemunho do amor, mas sobre a forma, infinitamente comentada, da relação de amor.

Dedicatória: episódio da linguagem que acompanha todo o presente de amor, real ou projetado, e, mais genericamente, todo gesto, efetivo ou interior, pelo qual o sujeito dedica qualquer coisa ao ser amado.

Dependência: figura onde se vê a condição específica do sujeito apaixonado, escravo do objeto amado.

Despertar: modos vários em que se encontra, ao despertar, o sujeito apaixonado, reinvestido no desejo da sua paixão.

Destruir-se: sopro de aniquilamento que afeta o sujeito apaixonado, por desespero ou por saturação.

Encontro: a figura refere-se aos momentos felizes que imediatamente se seguiram ao primeiro encantamento, antes de nascerem as dificuldades da relação de amor.

Escrever: enganos, debates e impasses a que dá lugar o desejo de "exprimir" o sentimento de amor numa "criação" (especialmente da escrita).

Espera: tumulto de angústia suscitado pela espera do ser amado, devido pequenos atrasos (encontros, telefonemas, cartas, regressos).

Eu-amo-te: a figura não se refere à declaração de amor, à confissão, mas à proferição repetida do grito de amor.

Exílio: decidindo renunciar ao estado de amor, o sujeito vê-se com tristeza exilado do seu Imaginário.

Fading: prova dolorosa segundo a qual o ser amado parece retirar-se de todo o contato sem que esta indiferença enigmática se volte contra o sujeito apaixonado ou se decida em benefício do outro, seja ele quem for, mundo ou rival.

Festa: o sujeito apaixonado vive todo o encontro com o ser amado como uma festa.

Identificação: o sujeito identifica-se dolorosamente com qualquer pessoa (ou personagem) que ocupe na estrutura de amor a mesma posição que ele.

Indução: o ser amado é desejado porque alguém lhe mostrou que ele é desejável - por muito especial que seja, o desejo de amor descobre-se por indução.

"A beleza é a fonte necessária do nascimento do amor; predispõe-nos para a paixão pelos elogios que ouvimos dar a quem iremos amar"(Stendhal: De l'amour).

Insuportável: o sentimento de uma acumulação de sofrimentos de amor explode neste grito - "Isto não pode continuar."

Languidez: estado sutil do desejo de amor, experimentado na ausência deste, foa de todo o querer-para-si.

Louco: o sujeito apaixonado é atravessado pela idéia de que está ou vai ficar louco.

Magia: consultas mágicas, pequenos ritos secretos e ações de voto não estão ausentes da vida do sujeito apaixonado, seja qual for a cultura a que pertença.

Mutismo: o sujeito apaixonado angustia-se quando o objeto amado responde perniciosamente, ou não responde, às palavras (discurso ou cartas) que ele lhe dirige.

Nuvens: sentido e utlização de sombreamento do humor que atinge o sujeito apaixonado graças a circunstâncias várias.

Objetos: todo o objeto tocado pelo corpo do ser amado torna-se parte desse mesmo corpo e o sujeito sente-se apaixonadamente atraído por ele.

Porquê: ao mesmo tempo que se interrroga obcecadamente por que motivo não pe amado, o sujeito apaixonado vive com a convição de que, na verdade, o objeto amado o ama mas não o diz.

Sedução: episódio tido por inicial (embora possa ser reconstituido depois) no decurso so qual o sujeito apaixonado se sente "seduzido" (capturado e encantado) pela imagem do objeto amado (nome popular: amor à primeira vista; nome sábio: paixão).

Verdade: todo o episódio de linguagem relacionado com a "sensação de verdade" que o sujeito apaixonado experimenta ao pensar no seu amor, quer julque ser o único a ver o objeto amado "na sua verdade", quer defina a especialidade da sua própria exigência como uma verdade à qual não pode ceder.

(textos de "Fragmentos de um discurso amoroso", de Roland Barthes).


Quinta-feira, Maio 14, 2009

 

O DIVÃ


Assisti o filme O DIVÃ e quase morri de rir.

Baseado no livro DIVÃ, de Martha Medeiros, com roteiro de Marcelo Saback e direção de José Alvarenga Jr. - o filme tem um texto muito bom, inteligente, ágil e muito divertido.

Lilia Cabral, que faz Mercedes, a personagem principal, fala sobre o filme e sua personagem. Ela está divina nesse papel!

Clique para sabertudo sobre o filme Divã

Adorei a trilha sonora de Guto Graça Melo. Assim que o CD estiver nas prateleiras, vou correndo buscar o meu.

Escolhi uma música do filme para você curtir, na versão com Roberto e Gal:




Segunda-feira, Maio 11, 2009

 

TRILHA SONORA

Em homenagem à minha mãe que completa 82 anos.


Cabocla Tereza




Cascatinha & Inhana "Meu Primeiro Amor"




Tonico & Tinoco - Tristeza do Jeca




Chitãozinho & Xororó - No Rancho Fundo


Domingo, Maio 10, 2009

 

HEY JUDE - 13500 PESSOAS EM LONDRES


No dizer da Psicanálise: uma nova forma de gozo. Agora com patrocínio de empresas de telefonia e agências de publicidade.

É a nova onda. As empresas lançam convites pelo celular convocando as pessoas para cantarem juntas, uma nova forma de publicidade.

Veja o que a T-Mobile conseguiu fazer no último dia 30 de abril: reuniu 13.500 pessoas na Trafalgar Square, em Londres, para cantar HEY JUDE .




A idéia de fazer todos cantarem Make it better - não era conhecida do público ao chegar na Trafalgar Square. O convite dizia apenas para se reunirem na praça - o que fazer seria a surpresa. E o povo curtiu. Se a onda pega ....

Veja o vídeo do convite.



A idéia de convocar via celular milhares de pessoas para se reunirem às 18h do dia 30 de abril último em Trafalgar Square, um dos cartões postais de Londres, já seria interessante. Daí a montar um gigantesco karaokê e distribuir 2 mil microfones para as 13 mil pessoas que apareceram e fazer, todos juntos, cantarem 'Hey Jude', dos Beatles, e 'Baby One More Time', de Britney Spears, foi mais que uma sacada, foi um gol de idéia e de organização.

Muitos blogs estão comentando o fato. Esse comentário é do blog Publizität.

Se você tem mais informação sobre esses eventos, comente aqui.

Sábado, Maio 09, 2009

 

PROVA DOS 9

Letíca criou um site, junto com Noemi, com uma idéia muito original.


Um site interativo. As duas criam um tema e as pessoas cadastradas também postam textos, fotos, músicas, vídeos, tudo que acharem que tem a ver com o tema.

O tema de abertura do site é ALEGRIA

Não deixe de visitar e se cadastrar. Clique aqui para acessar: Prova dos 9


Sexta-feira, Maio 08, 2009

 

RADIOHEAD - CREEP


Este clipe me foi enviado por uma pessoa querida, uma boa companhia das madrugadas na internet. Esta música é também a preferida de Letícia (do Radiohead).


Segunda-feira, Maio 04, 2009

 

VITÓRIA ! CORINTHIANS !
































Neste feriado fui a Salvador ver os amigos, curtir Maria Clara, minha linda afilhada.

Ainda peguei Maira grávida de 8 meses de um talvez Gabriel.

Zeca nos mostrou a praia de Arembepe, onde comemos um delicioso ensopado de camarão com pirão e farofa, depois de provar os deliciosos bolinhos de bacalhau do lugar.


E no futebol a vitória foi dupla:


Glaucio, jogador do Vitória - campeão do campeonato baiano.


Eu e a torcida da Fiel - com o Corinthians - campeão paulista.
Foi uma alegria em dobro !!!

Quinta-feira, Abril 30, 2009

 

ZII E ZIE


O último CD de Caetano Veloso - Zii e Zie - está super comentado, e acaba de chegar às lojas.

Sobre o título, diz Caetano: “zii e zie” é o título condizente com as cenas do Rio de hoje: “tios e tias” somos todos diante dos garotos que fazem malabarismo no sinal. Mas em italiano fica mais perto de São Paulo, que é o que desejo agora.

O lançamento do CD será no dia 8 de maio no Canecão - Rio de Janeiro.

Pra entrar no clima vamos curtindo os vídeos que Caetano tem gravado com as músicas do CD. Selecionei algumas faixas.

Boa viagem!!!

Lapa





A cor amarela





Incompatibilidade de gênios





Falso Leblon





Tarado ni você





Saiba mais sobre o CD no blog de Caetano: Obra em Progresso

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