Terça-feira, Novembro 03, 2009
LA TRIENNALE DI MILANO




O fotógrafo americano Roger Ballen nasceu em New York e viveu desde 1970 na África do Sul até sua morte, neste ano.
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
A PSICANÁLISE NA VANGUARDA

O IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana é a vanguarda da psicanálise. Veja porque:
Você ja pensou em um livro em forma de tweets?
Um livro que fale da clínica - mais especificamente a Segunda Clínica de Jacques Lacan ?
É o que acabamos de publicar no IPLA: 216 tweets lacanianos sobre a Segunda Clínica de Jacques Lacan.
Você sabia que o IPLA é a primeira instituição psicanalítica que entrou no Twitter e no YouTube?
E se quiser entrar nessa vaibe, é só me seguir:
http://twitter.com/teresagenesini
ou http://twitter.com/ipla_O canal do IPLA no YouTube completou 3 anos em outubro e já tem 62 vídeos.
Clique para conferir: IPLA no YouTube
Quer conhecer o IPLA? Venha participar dos sábados no IPLA - no sábado 14 de novembro: IRTP: Inconsciente, Repetição, Transferência e Pulsão - os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise.
Veja a programação. Confira também o site.: http://www.psicanaliselacaniana.com/
Nos vemos lá no IPLA !
Domingo, Novembro 01, 2009
LEMBRANÇAS DE AMIGOS
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
ESTUDANDO PSICANÁLISE: PULSÃO
Pulsão (trieb) - termo empregado por Sigmundo Freud em 1905 para designar o ato de impulsionar.
Definição: carga energética que se encontra na origem da atividade motora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem.
Pulsão (trieb) não deve ser confundido com instinto (instinct) ou tendência (drive). O conceito de pulsão está estreitamente ligado aos conceitos de libido e de narcisismo.
Freud utilizou o termo pulsão pela primeira vez no livro Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, em 1905. Nesse momento pulsão era essencialmente a pulsão sexual. Na edição de 1910 desse livro, Freud define a pulsão como uma demarcação entre o psíquico e o somático:
Pulsão é a representação psíquica de uma fonte endossomática de estimulações que fluem continuamente, em contraste com a estimulação produzidas por excitações esporádicas e externas.
Freud diferencia pulsão sexual de instinto sexual. Para ele a pulsão sexual não se reduz às atividades sexuais, mas é um impulso cuja energia é constituída pela libido. Diferencia a pulsão sexual das outras pulsões. A pulsão sexual é composta da satisfação genital e da função de procriação.
Em 1914, a primeira dualidade pulsional: Freud opõe as pulsões sexuais (cuja energia é de ordem libidinal) às pulsões de auto-conservação (cujo objetivo é a conservação do indivíduo) - as pulsões do eu.
As pulsões sexuais encontram-se sob o domínio do princípio do prazer, enquanto as pulsões de conservação ficam a serviço do desenvolvimento psíquico determinado pelo princípio de realidade.
As pulsões sexuais podem ter quatro destinos: inversão, reversão, recalque e subimação.
A inversão pode ser exemplificada pela oposição sadismo/masoquismo e voyeurismo/exibicionismo. A reversão pode ser exemplificada pela transformação do amor em ódio.
Em 1915, no texto As pulsões e suas vicissitudes, Freud define as quatro características da pulsão: força, alvo, objeto e fonte.
- força ou pressão - é a própria essência da pulsão; é o motor da atividade psíquica.
- alvo - é a satisfação; pressupõe a eliminação da excitação que se encontra na origem da pulsão. Esse processo comporta alvos intermediários ou até fracassos, chamados de pulsões inibidas quanto ao alvo.
- objeto da pulsão - é o meio pela qual a pulsão atinge seu alvo. Pode haver o entrecruzamento das pulsões, isto é, um mesmo objeto pode servir, simultaneamente para a satisfação de várias pulsões.
- fonte das pulsões - é o processo somático, localizado numa parte do corpo ou num órgão, cuja excitação é representada no psiquismo pela pulsão.
Em 1920, com a publicação do livro Mais além do princípio do prazer, Freud apresenta um novo dualismo: pulsões de vida e pulsões de morte.
Freud teorizou o que chamou de pulsão de morte a partir da observação da compulsão à repetição. Chegou à hipótese de que existe uma pulsão, cuja finalidade é reconduzir o que está vivo ao estado inorgânico. A pulsão de morte tornou-se, assim, o protótipo da pulsão. Da ação conjunta e oposta desses dois grupos de pulsões (pulsões de morte e pulsões de vida), provém as manifestações da vida, às quais a morte vem por termo.
Freud, em 1926, declara que a doutrina das pulsões é um campo obscuro, até mesmo para a psicanálise: "A teoria das pulsões é, por assim dizer, nossa mitologia. As pulsões são termos míticos, portentosos em sua imprecisão".
Em 1933, nas Novas conferências introdutórias sobre psicanálise, Freud sublinha que "a pulsão de morte não pode estar ausente de nenhum processo de vida". Ou seja, se há vida, há pulsão de morte.
Lacan, em seu Seminário XI, de 1964, considerou a pulsão como um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise.
Para Lacan, a pulsão increve-se numa abordagem do inconsciente em termos da falta e do não-realizado. Para apreender a essência do funcionamento pulsional, é preciso conceber o objeto como sendo da ordem de um oco, de um vazio, designado de maneira abstrata e não representável: o objeto a (o objeto do desejo). Para ele, a pulsão é sempre parcial.
Lacan definiu cincoo objetos pulsionais, aos quais chamou de objetos do desejo: seio, feses, falo, voz e olhar.
Se há algo com que se parece a pulsão é com uma montagem. É uma montagem que, de saída, se apresenta como não tendo pé nem cabeça. (Jacques Lacan)
(notas extraídas do Dicionário de Psicanálise - Elisabeth Roudinesco e Michel Plon - Ed. Zahar, 1998)
SIGA-ME NO TWITTER: http://twitter.com/teresagenesini
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
SÁBADOS NO IPLA: A SEGUNDA CLÍNICA DE J. LACAN

Os sábados no IPLA são cursos da psicanálise que acontecem aos sábados, das 9h às 17h.
Neste sábado, 24 de outubro, o tema é:
A SEGUNDA CLÍNICA DE JACQUES LACAN
Clique aqui para ver a programação.
A segunda clínica, elaborada nos últimos dez anos de ensino de Lacan, responde
às mudanças sofridas pelo Homem, na globalização, que exigem uma nova clínica
psicanalítica além do Édipo, uma vez que os elementos verticais orientadores da
estrutura edípica foram abalados.
É caracterizada como uma clínica borromeana, do parlêtre (loquente), do gozo, do além do Édipo, do ‘Outro que não existe’, do sintoma indecifrado. Tem como paradigma a experiência e o encontro com o Real.
O número de vagas é limitado.
Inscreva-se no IPLA: Rua Augusta, 2366 - casa 2 ou pelo telefone: 11 3061-0947
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
POR QUE TWITTAR ?

A idéia do twitter tem a ver com a idéia de epidemia – uma rede que se expande horizontalmente e não verticalmente.
Uma das principais funções do Twitter é fazer circular informação relevante através dos followers e dos followings.
O Instituto da Psicanálise Lacaniana – IPLA http://twitter.com/ipla_ entrou no twitter em 15 de setembro deste ano – uma forma inédita de espalhar o vírus da psicanálise.
O IPLA e seus membros têm divulgado seus cursos e eventos através de twitts.
Recentemente twittamos nossos trabalhos sobre o tema da Transferência – o efeito que isso tem não é igual à soma dos followers e followings, é muito maior.
Topológicamente o Twitter é um mosaico, ao contrário da Igreja, que é uma pirâmide.
Para saber mais sobre o twitter, leia o manual clicando aqui.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Domingo, Outubro 18, 2009
VOLARE
com Luciano Pavarotti
com Paul McCartney
e a original com Domenico Modugno - Nel blu di pinto di blu (Volare)
Penso che un sogno così non ritorni mai più
mi dipingevo le mani e la faccia di blu
poi d'improvviso venivo dal vento rapito
e incominciavo a volare nel cielo infinito
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
e volavo, volavo felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù
una musica dolce suonava soltanto per me
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
ma tutti i sogni nell'alba svaniscon perché
quando tramonta la luna li porta con sé
ma io continuo a sognare negli occhi tuoi belli
che sono blu come un cielo trapunto di stelle
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
e continuo a volare felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano scompare negli occhi tuoi blu
la tua voce è una musica dolce che suona per me
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
con te
Quinta-feira, Outubro 15, 2009
ÓPERA IDOMENEO - TEATRO ALLA SCALA DI MILANO

O Teatro alla Scala de Milão é um cartão de visita da cidade. Grandes concertos, óperas, balés - um calendário de espetáculos de dar água na boca.
Veja aqui a programação:
Assiti a ópera Idomeneo, Rei de Creta - obra de Mozart - a primeira ópera considerada de sua fase adulta, aos 24 anos.

É um drama em 3 atos, escrito por Giambatista Varesco.
Veja aqui o libretto.
Foi a primeira ópera vista por Letícia. Um belo presente dessa jornada.
Para ver o Vídeo de um trecho da ópera - clique aqui:
Terça-feira, Outubro 13, 2009
A ANGÚSTIA DO DESCONTROLE SOCIAL
Jorge Forbes, em seu artigo no Estadão deste domingo - Zero na Prova -(Aprender com a resposta errada), analisou os acontecimentos que saíram fora do controle social: ENEM, senhas do hotmail, chantagem contra David Letterman.
Qual a saída?
Seleciono aqui algumas frases do artigo:
Do ponto de vista psicanalítico, temos três tipos de intimidade: imaginária, simbólica e real. A imaginária e a simbólica têm em comum o fato de poderem ser representadas: uma, na imagem e outra, na palavra.
Temos, em decorrência, duas políticas possíveis para tratar o descontrole: imaginar que ele é fruto de imperícia, ou que é estrutural da espécie humana.
Concordar com a segunda hipótese, a da falha estrutural na constituição humana, nos conduz a buscar uma nova política que inclua o erro, sem por isso diminuir o acerto.
Leia o artigo todo clicando aqui.
Quinta-feira, Outubro 08, 2009
LOUCURA x CIÚME
O governador José Serra cantou o início da música Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues, em entrevista ao Datena: http://www.youtube.com/watch?v=bYIshfRtLyw
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher ....
O governador cantou "ciúme" em vez de "loucura".
Em seu twitter http://twitter.com/joseserra_ pergunta aos psicanalistas se Freud explica esse erro. Jorge Forbes http://twitter.com/jorgeforbes responde twittando: É uma triste previsão: quando a loucura não tem eco, na mulher..., o que resta é o ciúme.
Procurei no YouTube e posto aqui em homenagem ao governador e ao psicanalista:
. um vídeo de Lupicínio contando porque fez essa música e cantando Nervos de Aço, seguido de Paulinho da Viola; e
. um vídeo com Roberto Carlos e Ultraje a Rigor cantando Ciúme
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
CENTENÁRIO DA NRF - NOUVELLE REVUE FRANÇAISE

O grupo 1 apresentou o trabalho de uma forma inusitada: em forma de twitts. Vários participantes twittaram o trabalho e o twitter do IPLA participou da experiência.O tema : Efeitos de transferência na NRF e no IPLA em twitts.
Este ano é o centenário da fundação da NFR, revista prestigiosa, que mudou o panorama da literatura na França.
A revista NRF deu origem à editora Gallimard, hoje Gallimard NRF.
O primeiro número de La NRF é datado de 1 de fevereiro de 1909.
O endereço oficial da NRF: 78, rue d´Assas, Paris.
A NRF, com publicações mensais e depois trimensais criou um foro singular de expressão e discussão para literatura.
A NRF instaura outra concepção de revista literária, acima dos movimentos e das escolas: unicamente preocupada com a qualidade literária.
A NRF se forma em torno de uma certa idéia de literatura que representa a obra de Gide e que reune intelectuais e literatos.
Schlumberger, pelo lugar que dá à causa literária e à amizade, dedica-se integralmente à revista.
A NRF sobrevive inicialmente às custas de Jean Schlumberger.
O que faz o sucesso da revista é sua qualidade, não sua orientação. Não é uma revista manifesto, é literatura comprometida com a vida.
O projeto era tirar a literatura do impasse entre uma literatura de best-seller, de uma literatura intelectualizada, ou ideologizada.
A idéia da revista era de reafirmar a vida, que não há corte entre a vida e a literatura.
Entrevistas sobre o centenário da NRF na rádio francesa: http://migre.me/8hID
A NRF é um exemplo de um grupo causado.
Quadro sintetizando dois modos de articulação dos grupos: o mutualismo e o affectio societatis http://migre.me/8ktO
A transferência não envolve uma relação dual, mas um ternário: o psicanalista, o psicanalisante e o sujeito suposto saber.
O sujeito suposto saber traz a possibilidade de outra cena – há algo externo que permite um saber. É a aposta no sujeito suposto saber.
O sujeito suposto saber é, para nós, o eixo a partir do qual se articula tudo o que acontece com a transferência (Lacan).
A psicanálise é uma práxs. O conceito dirige o modo de tratar os pacientes. Em movimento inverso, a clínica comanda o conceito.
A transferência é o amor verdadeiro.
O IPLA e a sua relação com a Psicanálise: é uma relação de transferência, não é uma relação de saber.
Não quer dizer que no IPLA não haja um saber; mas é um saber que se constrói: o IPLA não é um depósito de saber (como a universidade).
Conclusões
Alguns aspectos que extraímos da NRF fazem parte do funcionamento do IPLA: participam desse grupo porque é isso que querem. Primam pela qualidade, coerência e decisão. Promovem o affectio societatis.
O IPLA não tem um ideal, ideologia, nem uma finalidade constituída, mas tem uma firmeza de direção. Debate com o Direito, Medicina, Genética, Arquitetura, Música, Artes, Educação, etc. Procura acompanhar o desenvolvimento tecnológico, utiliza multi-meios em suas reuniões. Tem site, twitter, vídeos no youtube, etc. Diferentemente de François Sauvagnat, não vê o twitter como ameaça. Entendemos que o twitter pode passar pela transferência, já que é um monólogo articulado, que leva em conta o fracasso da transparência e não tem a vocação de entender. No IPLA desenvolvemos trabalhos sobre a Conversação, Second life, otakus, Orkut, Twitter, suecar. Procuramos sempre introduzir o novo.
A questão é: Como causar a transferência fora do IPLA, uma relação centrífuga, baseada na ética e não na moral?
O exemplo da NRF mostra que é possível que pessoas se juntem a partir de diferenças econômicas, de diferenças sociais. Jorge Forbes, em sua conferência de abertura ao módulo As Transferências, do Corpo de Formação em Psicanálise do IPLA, disse que “A psicanálise acredita no poder do invisível – é o ponto cego da visão que nos guia e não o resultado dela. Não resolvemos nosso mal-estar com nenhum tipo de moral. Dentro daquilo que chamamos de transferência, será possível uma ética, se estabelecermos que exista um ponto comum. Esse ponto comum não significa se comportar da mesma maneira, mas quer dizer, se comportar diferentemente frente à mesma coisa possível. Será que nós suportaremos uma transferência com o real na falência de todas as soluções simbólicas e imaginárias?”
Nós acreditamos que sim. É a nossa aposta.
Domingo, Outubro 04, 2009
MERCEDES SOSA - GRACIAS A LA VIDA !
Quem não curtiu Mercedes Sosa nos anos 70?
Quem não cantou Gracias a la vida - a música da chilena Violeta Parra que Mercedes Sosa imortalizou?
E Milton Nascimento e Mercedes Sosa cantando juntos Volver a los 17?
Trago aqui um vídeo de Mercedes cantando Gracias a la vida e outro cantando Volver a los 17 com Milton, Caetano, Gal e Chico.
Boa viagem!
Sexta-feira, Outubro 02, 2009
RIO SEDE DA OLIMPÍADA EM 2016
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
CURTINDO ROBERTA SÁ
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
POETAS E POEMAS
JOÃO CABRAL DE MELO NETO:
O artista inconfessável
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
Questão de pontuação
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
ELIZABETH BISHOP:
One Art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Uma arte
A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde da perda
que o perdê-las não traz desastre.
Perca algo a cada dia.
Aceita o susto de perder chaves,
e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias ir.
Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe.
A última, ou a penúltima,
de minhas casas queridas foi-se.
Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas.
E, pior, alguns reinos que tive,
dois rios, um continente.
Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente amado),
mentir não posso.
É evidente: a arte de perder muito
não tarda aprender, embora a perda
- escreva tudo! - lembre desastre.
(tradução Horácio Costa)
LETÍCIA GENESINI:
Quadrinha
Maldito deus em que não acredito,
Vieste e tiraste um pedaço de mim.
Entornaste sem medida a fé fingida
Que depositava em ti.
Razão da pouca escrita
Como dizer de um coração que anda sem abrigo,
Desgarrado do peito?
Aflito, sem casa.
Sem alma para enfastiar,
Sem ânsia para conter,
Nem língua para amargar.
Pobre coração que não tem mais
Caixa toráxica.
Invólucro ósseo para ecoar paixões.
E assim, infértil o peito,
Fica mudo o corpo,
Pois as pontas dos dedos
Mal sabem o que diz um coração.
Quinta-feira, Setembro 24, 2009
UMPONTO
O lançamento do livro UMPONTO de Letícia Genesini foi um sucesso!Cerca de 200 pessoas compareceram na noite de 22 de setembro à livraria da Vila. Letícia fazia uma dedicatória exclusiva a cada um - o conjunto desses textos daria outro livro!
A capa - design de Chico Forbes - já encanta por si só.
Os poemas surpreendem os leitores pela qualidade e sensibilidade.
Um feito publicar um livro aos 22 anos!
Que emoção!
Uma felicidade tão grande para mim, sua mãe, que não consigo traduzir em palavras.
Os amigos foram maravilhosos - compareceram, mandaram mensagens, enviaram flores, telefonaram, mandaram chocolates - agradeço a cada um.
Além disso tenho recebido muitos comentários elogiosos à qualidade dos poemas, à sensibilidade de Letícia, à sua arte de escrever.
Peço licença a um querido amigo, que me enviou essa análise, para publicá-la aqui:
Li hoje o livro da Letícia, com muito prazer e grande surpresa com a personalidade dela, aparente em todos os textos.
Ela quer ser dura, essa menina tão irremediavelmente sentimental ! É claro que não consegue, mas isso dá um ótimo sabor agridoce ao que ela escreve.
Ela quer parecer experiente e vivida; só consegue provar o quanto descobrir constantemente novas pessoas e novas situações lhe é importante, malgré tout...
Ela vai buscar o nome-do-pai ao colocar um "gênesis" que nada tem a ver com a lua que flutua !
Ela escreve bem, muito bem mesmo. E tem toda razão ao dizer que faz prosas, extremamente curtas. Só que a poesia permeia tais prosas, as domina e o produto é sempre um poema de verdade.
Ela é muito original e tem um talento raro: consegue que seu leitor encontre no que escreve uma quantidade de alusões e de referências a coisas que estão na memória coletiva - um verso de Vinicius, um pedacinho de uma canção do Roberto, a evocação de uma cantiga de roda. Isso faz com que a leitura estabeleça imediatamente uma cumplicidade prazerosa com ela e torna encantado o percurso pelo livro.
Ela às vezes, é contraditória. Chama de "quadrinha" o texto mais duro e desencantado que escreveu. Por que seria ?
Ela partilha com Elizabeth Bishop a arte de perder. "One Art", Bishop chamou esse talento, dizendo que é facil tê-lo. Letícia é mais pessimista. Conta as coisas que perdeu - imaginárias, na maior parte - mas termina com a preocupação de saber onde as coisas perdidas estão enfiadas. Isso não é uma desistência sofrida; é a curiosidade de buscá-las de novo !
Ela não deve ser uma filha dócil e fácil. Mas é, certamente, uma filha que vale muito a pena e da qual você só tem a se orgulhar !
Um grande beijo,
Carlos
clics de Rachel Guedes



comemorando no ASTOR
Domingo, Setembro 20, 2009
DOMINGO NO IPLA COM EUGÊNIO BUCCI E JORGE FORBES
O Entretenimento, o Gozo Imaginário e aImprensa no meio disso tudo
Eugênio Bucci – palestrante convidado
Jorge Forbes – debatedor
Estão convidados para esta domingueira pessoas de várias comunidades: jornalistas, educadores, empresários, psicanalistas, enfim, formadores de opinião.
Veja os detalhes da domingueira clicando aqui.
Seja mais um nesse debate. Compareça hoje!
Quando – Domingo, 20 de setembro de 2009, às 18h
Onde – IPLA: Rua Augusta 2366 – casa 2, Jardins
São Paulo – SP
Taxa – R$ 30,00
Informações e inscrições no IPLA
ou pelos telefones:
(11) 3061-0947
(11) 3081 6346
Inscrições limitadas.
http://www.ipla.org.br/ / http://www.psicanaliselacaniana.com/
ipla@ipla.org.br / ipla@psicanaliselacaniana.com
Terça-feira, Setembro 15, 2009
UMPONTO - LANÇAMENTO 22/9 - LIVRARIA DA VILA

A tua vida e
A minha
Cabem num ponto
Uma bola gorda e redonda
Tão estática e perfeita
Que chega a ser indecente
É tão irritante
Este antro estéril, meu caro
Que teremos de expandir.
Mínimo e infinito ou, como tão bem descreve
a jornalista e escritora Noemi Jaffe, “perfeito e
completo em sua pequenez”. O ponto, objeto
geométrico conciso e preciso é a inspiração
para Umponto, o primeiro livro de poesia de
Letícia Genesini.
Minimalistas, estes pontos-poemas (ou prosas
curtas, como refere a autora) espelham as
possibilidades e impossibilidades daquele que é
o início e o fim de qualquer pensamento, linha,
forma. Concentrando intensidade em cada um
dos seus nós, seus versos oscilam em linhas
retas e trajetórias sinuosas que ligam emoções
incontidas, reflexões e traços de ironia.
“Letícia e seus poemas vivem entre: ‘no instante
sobre o chão’, ‘na ponta da palavra’, na dúvida, no
silêncio. Um silêncio carregado de sons, flechas
pontos e palavras: poemas.” – elogia Noemi
Jaffe, que destaca a consciência arquitetônica e
visual desta poesia que almeja pela “linguagem
perfeita, dona de si, completa”.
sobre a autora
Letícia Genesini tem 22 anos e
nasceu em São Paulo. Atualmente,
é estudante de Letras pela Universidade
de São Paulo e de Design
Gráfico pelo Istituto Europeo di
Design (IED).
Umponto
Letícia Genesini
ISBN 978-85-7577-602-5
64 páginas
R$ 25,00
Editora 7Letras
Rua Goethe, 54 – Botafogo cep. 22281-020 Rio de Janeiro RJ
(21)2540-0076 • http://www.7letras.com.br/ • divulga@7letras.com.br
Lançamento - noite de autógrafos: 22 de setembro, das 18:30h às 21:30h
Livraria da Vila (piso superior)
Rua Fradique Coutinho 915 - São Paulo
tel: 11 3814-5811
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
CURSOS DA PSICANÁLISE: AS DUAS CLÍNICAS DE JACQUES LACAN
Sábados no IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana - As duas clinicas de Lacan curso 1 - A primeira clínica - 19 de setembro
curso 2 - A segunda clínica - 24 de outubro
Veja a programação aqui.
As inscrições estão abertas !!!
Domingueira no IPLA - 20 de setembro às 18h
com Eugênio Bucci (convidado) e Jorge Forbes (debatedor)
tema: "O Entretenimento, o Gozo Imaginário e a Imprensa no meio disso tudo"Maiores informações no site do IPLA.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Sábado, Setembro 12, 2009
TRAILER: Jacques Lacan e a Psicanálise do Século XXI
da conferência de Jorge Forbes na cpflcultura, no encerramento do módulo: A psicanálise do século XXI - Lacan para desesperados da crise.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Sexta-feira, Setembro 11, 2009
CANÇÕES DE AMOR E MAR

Na Tabacaria Ranieri:
Terça-feira, Setembro 08, 2009
TWITTER - TWITTAR - A NOVA ONDA

Comecei a twittar e estou adorando - a gente fica viciado. Você pode twittar no notebook ou no celular. Você fica plugado o tempo todo. Se quiser saber o que o Obama está fazendo é só segui-lo no Twitter. Quer saber o que Jorge Forbes está pensando, é só segui-lo no Twitter. Quer saber no que estou me ligando, é só me seguir no Twitter. Meu twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Tem até um manual rolando na intenet feito por Moriael Paiva - diretor executivo de criação da Talk Interactive, com um prefácio coletivo, divertido, em que cada um diz o que acha do TWITTER. Veja aqui:
TWITTER PELO TWITTER - UM PREFÁCIO COLETIVO*
O twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas
1.O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson
2.É um radar captando o que milhões de pessoas estão pensando/fazendo naquele momento. @pedrodoria
3.É um confessionário em praça pública. @ocriador
4.É a melhor forma de liberdade de expressão. Você fala, quem quer ouvir escuta e compartilha. Quem não quer não ouve e não censura. @NeiFernandes
5.Compartilhamento de informação de forma exponencial. @fuentes_be
6.O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando "sozinho", eventualmente alguém responde. @saintbr
7.O Twitter transforma famoso em amador e amador em famoso. @paulobeneton
8.É o fruto do amor proibido entre o scrap do Orkut e o MSN. @crisdias
9.Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte
10.Não sei direito o que é, mas tenho a impressão que estou ficando pra trás... preciso ler logo esse livro! Fabiano Borsa, São Paulo, SP 30 anos Empresário
* Marcelo Tas lançou a primeira definição, convidou seus seguidores a fazerem o mesmo pelo Twitter e no Blog do Tas (http://www.blogdotas.com.br/), depois escolheu dez mensagens para compor este prefácio. Ele doou integralmente o cachê por sua participação para a Casa do Zezinho, uma instituição sem fins lucrativos que atende hoje 1200 crianças e jovens de baixa renda na cidade de São Paulo.
O link do manual: http://guiadotwitter.talk2.com.br/arquivos/Manual_Twitter_10_MB.pdf
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
VERGONHA NACIONAL
Em poucos dias proliferou no YouTube um grande número de postagens de vídeos da cantora Vanusa cantando errado o hino nacional brasileiro. Os números de exibições, hoje, variam de 11.000 a 188.000, dependendo do vídeo: original, com legenda, com comentários, com montagens, etc.
Não dá pra não rir. Mas é de se envergonhar!
Letra do Hino Nacional Brasileiro
I
OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS
DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,
E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,,
BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.
SE O PENHOR DESSA IGUALDADE
CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,
EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,
DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!
Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!
BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO
DE AMOR E DE ESPERANÇA À TERRA DESCE,
SE EM TEU FORMOSO CÉU, RISONHO E LÍMPIDO,
A IMAGEM DO CRUZEIRO RESPLANDECE.
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA,
ÉS BELO, ÉS FORTE, IMPÁVIDO COLOSSO,
E O TEU FUTURO ESPELHA ESSA GRANDEZA.
TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU,BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!
II
DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,
AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO,
FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA,
ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO!
DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA,
TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES;
"NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA,"
"NOSSA VIDA" NO TEU SEIO "MAIS AMORES".
Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!.
BRASIL, DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO
O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO,
E DIGA O VERDE-LOURO DESSA FLÂMULA
-PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO.
MAS, SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,
VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,
NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.
TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU, BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!
Domingo, Setembro 06, 2009
UMA FESTA DE CASAMENTO

Fomos abraçar Ruy, nosso amigo querido e padrinho de Letícia.
Era o dia do casamento de Gabriela, filha de Ruy e Eliana.
É a primeira festa de casamento de filhos dos amigos da turminha.

O tempo passa muito rápido - é uma frase comum, mas verdadeira. Me lembro como se fosse hoje da festa de casamento de Ruy e Eliana (Nanão) e como num passe de mágica aquelas imagens me vinham da memória o tempo todo.
Ruy, como todo pai da noiva estava nervoso, mas feliz.
Eliana estava feliz e orgulhosa.
Uma delícia encontrar os amigos e participar de uma ocasião tão importante.
Parabéms aos noivos Gabriela e Maurinho!


Sexta-feira, Setembro 04, 2009
O ESCAFANDRO E A BORBOLETA
O filme O ESCAFANDRO E A BORBOLETA, baseado no livro com o mesmo título, é um filme belo, sensível, emocionante, que toca o fundo da alma. Já vi três vezes, vi também o making of e entrevistas com o diretor e outros personagens e veria ainda outras tantas vezes.
Jean-Dominique Bauby, nascido em 1952, pai de três filhos, era redator-chefe da revista francesa Elle quando sofreu um derrame cerebral. Depois de ficar 20 dias em coma, os médicos descobrem que ele foi vítima de um locked-in syndrome, uma doença rara, que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar e comer por meios artificiais e mover o olho esquerdo, fez esse livro como uma forma de se agarrar à vida. Quando todo seu corpo está imóvel, a memória e a imaginção voam sem fronteiras. Começa a ditar um livro usando seu olho esquerdo - pisca ao ouvir a letra que lhe interessa e vai escrevendo seu livro - o resultado é maravilhoso.
A filmagem foi feita no próprio hospital onde Bauby ficou internado e muitas pessoas que participam do filme são as que trabalham no hospital e cuidaram dele. É um filme impressionante!
Veja o trailer:
(Le Scaphandre et le Papillon)
ano de lançamento ( França EUA ) : 2007
direção: Julian Schnabel
atores: Mathieu Amalric , Emmanuelle Seigner , Marie-Josée Croze , Anne Consigny , Patrick Chesnais e Max Von Sydow
duração: 01 hs 52 min
A trilha sonora é linda! Vale a pena escutar a música que começa o filme: LA MER.
Quero comprar o livro: O Escafandro e a Borboleta (Ed. Martins Fontes, 142 páginas, R$ 34, tradução de Ivone Castilho Benedetti).
Segunda-feira, Agosto 31, 2009
A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI COM JORGE FORBES
Em decorrência das mudanças do século XXI, as pessoas se perguntam se a psicanálise deste século não deve ser diferente da psicanálise do século passado. A conferência foi uma resposta à provocação : - Como Jacques Lacan poderia se posicionar frente aos problemas e as crises do mundo hoje?
Jorge Forbes apresentou um trabalho magnífico conceituando todo o ensino de Lacan e seus dois momentos : a primeira e a segunda clínica de Jacques Lacan.A primeira clínica - marca o momento de entrada de Lacan na psicanálise - vai de 1953 a 1970. Uma clínica pertinente ao século XX, que consagrou Lacan como aquele que trouxe a linguística para a psicanálise. Até então, o analista pós-freudiano preenchia o silêncio do analisando ou devolvia a ele o que havia dito, de uma forma mais palatável. O analista fazia uma certa
maternagem em relação ao seu paciente.

Lacan devolve a virulência da psicanálise à época de Freud.
Forbes conta como Freud, a partir de um livro muito caro a ele, que leu aos 14 anos " Como se tornar um escritor original em três dias", de Ludwig Borne (Baruch Lob) e de Anna Ó, paciente de Breuer - que queria falar sem ser interrompida, queria limpar sua chaminé, fazendo sua talking cure - criou o método da associação livre.
Lacan se vale da obra de Ferdinand de Saussure para fazer o mundo perceber a instância do significante no inconsciente. Os analistas deviamrepetir de certa forma aquilo que Anna Ó havia
descoberto - que o saber não estava nem com o
analista ou o médico, nem com o paciente, mas na associação livre, numa instância que se dá nesse encontro. A partir daí, a questão de colocar alguém em análise é a de possibilitar a saída da cena imediata - ego a ego (eu e você) - para outra cena, um outro lugar, onde aquilo que é dito ganha um sentido novo que ultrapassa aqueles
dois que estão con
versando. E porque tenta-se - ultrapassar o eu e o você é que convida-se uma pessoa a deitar no divã - um instrumento técnico facilitador, não obrigatório - e iniciar uma análise.
Na primeira clínica não é o analista, nem é o analisando, mas sim o Complexo de Édipo que vai dar sentido ao mundo.
Neuroses, psicoses e perversões são formas da pessoa criar uma ligação com aquilo que estamos para todo e sempre desligados - o mundo. Entre este eu e o mundo existe sempre uma discordância, que não se resolve mesmo que eu modifique meu mundo.
Já dizia o poeta: Mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução. (DRUMMOND)
O Complexo de Édipo, que durou 100 anos, criado por Freud, foi possível porque a sociedade era vertical. Funcionou como uma vacina; pegou bem. Hoje a sociedade não é mais assim e o Complexo de Édipo não funciona como antes.
A segunda clínica de Lacan - menos conhecida e menos difundida - vai de 1970 a 1981. Um Lacan com 70 anos de idade, apressado, que sabia não ter espaço para rever todo seu ensino, nos deixa essa segunda clínica incompleta como um plano arquitetônico (Forbes faz menção à catedral de Gaudi), para que seus alunos continuem a desenvolvê-la.
Jorge Forbes tem se dedicado a esse projeto de Lacan por entender que essa segunda clínica é a que responde ao homem de hoje. A partir de 1970 há uma mudança na psicanálise - saímos do Freud explica e passamos para Freud implica.
A psicanálise não dá uma visão de mundo, mas põe em questão todas as visões do mundo. Ela diz de outro tipo de felicidade, uma felicidade que a pessoa não pode explicar, que não é uma verdade provada, mas é uma verdade mentirosa. A felicidade do acaso, não a felicidade por merecimento.
Lacan fala de outra clínica do sujeito do inconsciente, que não passa pela palavra. A psicanálise, clínica da palavra, passa a tratar de algo que passa fora da palavra. Não tem mais aquela coisa da pessoa ficar se perguntando o que há por trás do que ela está dizendo, mas sim, saber que não há nada além daquilo, não há nada mais que ela possa nomear, ela pode até inventar.
No final de análise, na segunda clínica de Lacan, há o que chamamos de desabonamento do inconsciente - não há mais essa descarga de irresponsabilidade. A pessoa se dá conta de algo duro - é um sintoma, mas não o sintoma inicial, que a pessoa trouxe para a análise, esse sintoma decifrável - mas um sintoma indecifrável, que não será mais transformado: a pessoa descobre que ela é o seu sintoma. É a última formulação de Lacan sobre o que é o final de análise - é a pessoa se dar conta de sua existência como um sintoma não decifrável. Como lidar com isso?
- Inventando algo
- Responsabilizando-se por essa invenção e fazendo-a passar no mundo.
É um duplo movimento necessário à análise: invenção e responsabilidade.
É na segunda clínica de Lacan que encontramos respostas para os laços sociais tocados pelo real: - Família - um amor sem conversa.
- Educação - não se traduz informação em conhecimento sem responsabilidade; precisamos legitimar a informação.
- Amor - era justificado, agora é sem justificativa. O amor era em nome de; hoje é um amor direto, sem intermediários.
- Comércio - antes vendia-se objetos; agora o produto é uma experiência de cultura.
- Empresa - a gestão é horizontal; o líder tem características opostas às de ontem.
- Política - Brasília não é nosso pai; não estamos numa ordenação edípica. Estamos num momento de passagem; será necessário uma nova organização da política.
Para concluir: a qualidade de vida saiu das mãos de Aristóteles, de Nietzsche e passou a manuais de auto-ajuda. Um disfarce de vida nua, uma forma moralista menor que gera alguns desastres. É totalmente diferente de uma vida qualificada.
Veja também a matéria sobre o módulo A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI, outras fotos e uma entrevista de Jorge Forbes para o site da cpflcultura. Clique aqui.














Um belo final para este módulo tão instigante!
Vários colegas vieram prestigiar Jorge Forbes e abraçá-lo.
Parabéns Jorge Forbes !
MUDANÇAS
Eu nascia na surpresa, agora, na previsão;
Eu não saia de casa, agora vou para a creche;
Eu namorava alguém, agora vou ficando;
Eu decorava tudo, agora uso o Google;
Eu jantava na hora da família, agora, do microondas;
Eu fazia passeata, agora, nem serenata;
Eu escolhia uma faculdade, agora estudo em várias;
Eu queria ser doutor, agora, inventor;
Eu saía de casa cedo, agora sou canguru;
Eu casava lá pelos vinte, agora, quase aos quarenta;
Eu jamais me separava, agora só divorcio;
Eu me aposentava aos cinqüenta, agora mudo de profissão;
Eu morria aos setenta, agora tenho morte lenta.
E se alguém me perguntar o que eu vou fazer agora, antes
por favor me responda: - Afinal, que raios é a globalização?
Jorge Forbes
Quinta-feira, Agosto 27, 2009
JACQUES LACAN E A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI
Jacques Lacan e a psicanálise do século XXI é o tema da conferência de Jorge Forbes, no encerramento do seu módulo A psicanálise do século XXI - Lacan para desesperados da crise na cpflcultura (café filosófico)/TVCultura, nesta quinta-feira, 19 h.
Estão todos convidados a participar da gravação do programa: http://www.jorgeforbes.com.br/br/contents.asp?s=14&i=19
Argumento: Jacques Lacan ficou conhecido, e ainda assim é visto, como, talvez, o mais importante continuador de Freud, alguém que deu estatuto racional iluminista ao Inconsciente, desde a sua famosa formulação do “inconsciente estruturado como uma linguagem”. O que pouco, no entanto, se sabe é que nos últimos anos de seu ensino Lacan deu uma guinada de 180 graus em tudo o que tinha feito até então e, como se estivesse pensando contra si mesmo, propôs uma nova clínica, muito diferente da primeira e ainda a mais difundida, uma clínica própria a um homem que iria viver a crise de um mundo globalizado. A desestruturação das relações patriarcais exigiu uma clínica além do Édipo, na qual Freud não mais explica, Freud implica. É a psicanálise de um mundo novo e o que se faz hoje na clínica, à diferença do que se fazia antes, que iremos debater.
cpflcultura - Campinas
Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632
Chácara Primavera
(19) 3756-8000É imperdível!
Nos encontramos lá.
Quarta-feira, Agosto 26, 2009
PSICANÁLISE: MAL-ESTAR NA GLOBALIZAÇÃO - LACAN E AS LUZES
Alain Grosrihard, aluno de Lacan e grande especialista de Rousseau, nos presenteou com uma conferência de uma beleza e lirismo raros. Certamente a mais erudita conferência que já houve na cpflcultura.
Para falar sobre O MAL-ESTAR NA GLOBALIZAÇÃO - LACAN E AS LUZES, Grosrichard toma de Lacan e de Rousseau a posição anti-filosófica e se utiliza de uma referência de Lacan em que se diz herdeiro do debate das luzes para discutir as formas como enfrentar esse mal-estar.
A filosofia cria uma visão de mundo, um sistema de pensamentos que preenchem os buracos.
A psicanálise respeita os buracos, as carências, a castração. Nela o que nunca termina é essa carência. Para Freud e Lacan, o importante é respeitar os buracos, diz Grosrichard.
Começa sua conferência lendo uma carta de amor escrita por um personagem de um romance de Rousseau à sua amada, falando da noção de mundialidade (mondalité) e segue com a leitura do poema O MUNDANO, de Voltaire. Passeia por Lipovetsky, Poe, Hegel, Descartes, Kant, Sade, Nietzsche, Madame du Châtelet, Freud, sempre retornando a Lacan.




Destacou o debate de Lacan com o iluminismo desenhando seu movimento das luzes à obscuridade e a volta às luzes. Lacan, ao privilegiar o sujeito cartesiano localiza-se nesse debate fazendo a subversão do sujeito do inconsciente e marcando o sujeito do desejo. O debate de Lacan com as luzes é um debate em que Lacan se contradiz, um debate de Lacan X Lacan.
Falou de duas rupturas: a primeira, da passagem do iluminismo para o mundo moderno e a atual, com a globalização, na passagem do Outro para o mundo pós-moderno.


Na quinta-feira, 27 de agosto, haverá o encerramento dessa série de programas, com a conferência de Jorge Forbes: “Jacques Lacan e a psicanálise do século XXI”.
Quinta-feira, Agosto 20, 2009
A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI - LACAN E AS LUZES
Psicanálise no Café Filosófico: Continua nesta quinta-feira, 20 de agosto, às 19hs, a gravação da nova série de programas da cpflcultura/TV Cultura, sob a curadoria de Jorge Forbes.
O tema geral é A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI - Lacan para desesperados da crise, sendo que a segunda conferência, a desta quinta-feira, será com Alain Grosrichard, que tratará o Mal-estar na globalização - Lacan e as Luzes.
Depois de Freud, o psicanalista Jacques Lacan reinvidicava sua filiação às Luzes, aquelas do século de Voltaire, chamado também de “o século dos filósofos”. Entretanto, foi praticando a “anti-filosofia” que ele afirmava continuar o combate daqueles, contra todos os tipos de preconceitos. O que ele queria dizer com isso? Em que, e até que ponto, a “anti-filosofia” lacaniana se inspira no Iluminismo? E que luzes, por sua vez, nos traz hoje sua obra para analisar o do que se trata no mal-estar ou na crise da civilização, a qual um J-J- Rousseau - anti-filósofo esclarecido, mesmo não sendo o Doutor Lacan – já tinha recenseado com tanta lucidez, e encarnado até à loucura, alguns de seus sintomas?
ALAIN GROSRICHARD é ex-aluno da Escola Normal Superior, « agrégé » de filosofia, Professor honorário da Universidade de Genebra, Presidente da Sociedade Jean-Jacques Rousseau, membro da Escola da Causa Freudiana (França) e da Escola Brasileira de Psicanálise. Escreveu muitos trabalhos sobre a literatura e a filosofia iluminista, especialmente sobre Rousseau, como também sobre o enfoque psicanalítico da literatura.
O programa prosseguirá no dia 27, com Jorge Forbes. Todos as conferências são gravadas às 19h, na sede da cpflcultura (café filosófico), em Campinas.
A entrada é livre.cpflcultura - Campinas:
Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632
Chácara Primavera
(19) 3756-8000Nos vemos lá!
Terça-feira, Agosto 18, 2009
MULHER DE VERDADE
Jorge Forbes participou do programa Happy Hour com Astrid Fontenelle, no GNT, nesta segunda-feira, 17 de agosto. O tema discutido: Mulher de Verdade.
Mas não se trata da Amélia, a mulher de verdade.
Trata-se da mulher de vanguarda - aquela que suporta a marca do tempo, que tem uma história - essa é a mulher de verdade. Ao contrário, a mulher siliconada, cheia de botox - que plastifica o corpo - torna-se atemporal e perde a sua história. A mulher siliconada está em extinção, diz Jorge Forbes.
A sensualidade feminina vem do véu. A atração feminina é dada pelo entrever, pela sutileza, pelo deixar pensar. A exibição, o pavoneio, é coisa masculina.
Confira no YouTube um trecho da participação de Jorge Forbes no programa:



















































